O setor elétrico brasileiro vive um momento em que startups não competem mais apenas por vitrine, mas por contratos reais com quem opera a rede — e cada vez mais distribuidoras estão transformando dores operacionais em chamadas públicas de inovação aberta, com cheque e prazo definidos.

É nesse movimento que entra o Ciclo 5 do Inova Cemig.Lab, lançado pela distribuidora em 6 de outubro. O programa soma 13 desafios reais, levantados por áreas estratégicas da companhia, com projetos que podem receber até R$ 1,6 milhão cada, a depender do desafio escolhido. As inscrições, gratuitas e 100% online, ficam abertas até 1º de novembro de 2026, e podem concorrer startups com até dez anos de CNPJ e receita bruta de até R$ 16 milhões no ano anterior — um recorte que privilegia empresas em estágio de tração, não apenas de ideação.

13desafios reais abertos a startups
R$ 1,6 mivalor máximo por projeto
1º/11prazo final de inscrição

Os desafios cobrem frentes distintas da operação elétrica: distribuição, geração, meio ambiente, inteligência operacional e mobilidade elétrica. Entre os exemplos divulgados pela Cemig estão o uso de dados para antecipar o perfil de recarga de veículos elétricos, o cálculo automático do tempo de restabelecimento de energia após falhas e a gestão preditiva de equipes de campo — problemas de engenharia e logística que, resolvidos, têm impacto direto em custo e qualidade de serviço.

De vitrine a contratação de solução

Para o ecossistema de inovação em energia, é a oportunidade mais acionável do período: prazo definido, cheque relevante por desafio e um caminho real de prova de conceito remunerada com uma distribuidora de grande porte. Startups de grid-tech, mobilidade elétrica, analytics e inteligência operacional ganham, com isso, uma porta de entrada concreta — e não apenas simbólica — para o relacionamento comercial com o setor elétrico.

O desenho por "desafios reais" também é sinal de tendência: distribuidoras estão deixando de tratar inovação aberta como vitrine institucional e passando a usá-la como mecanismo efetivo de modernização de rede, buscando no mercado soluções que a estrutura interna não resolve no mesmo prazo ou custo. Para hubs, aceleradoras e investidores que acompanham o setor, é mais um dado de que a demanda por deep-tech e climatech aplicadas à energia tem comprador real, com orçamento e prazo definidos.