Em 21 de outubro, após o fechamento do mercado, a Neoenergia divulgou os resultados do terceiro trimestre de 2026: lucro em alta de dois dígitos, sustentado por um ciclo de investimento que soma bilhões de reais nos primeiros nove meses do ano e está concentrado, majoritariamente, em um único destino — a modernização da rede de distribuição.

Os números confirmam o tamanho do movimento. O lucro líquido somou R$ 1,18 bilhão, alta de 27% em relação ao mesmo período de 2025. O EBITDA alcançou R$ 3,6 bilhões, enquanto o EBITDA caixa somou R$ 3,2 bilhões, avanço de 12% ano a ano. Nos nove meses do ano, a companhia investiu R$ 6,2 bilhões, dos quais R$ 5,7 bilhões foram para a distribuição — elevando a Base de Remuneração Regulatória (BRR) das cinco distribuidoras do grupo a R$ 48,2 bilhões. A energia injetada por essas distribuidoras somou 22.857 GWh no período, crescimento de 6,9%.

Parte do fôlego para sustentar esse ritmo veio de uma operação concluída em setembro: o fundo soberano de Cingapura GIC passou a sócio da Neoenergia Transmissão, com a Neoenergia mantendo 51% do controle — uma reciclagem de capital que reforçou o caixa da companhia em R$ 1,7 bilhão. A operação não é fato novo desta semana, mas segue sustentando o caixa e, com ele, o plano estratégico de R$ 50 bilhões em investimentos até 2030 nas cinco concessões do grupo: Coelba, Celpe, Cosern, Elektro e Brasília.

Para o ecossistema de inovação do setor de energia, o dado mais relevante não é só o lucro — é o tamanho e a direção do capex. Um ciclo plurianual de R$ 50 bilhões concentrado em modernização de distribuição é, na prática, um pipeline de negócios e de testes (PoCs) para tecnologias de medição inteligente, automação de rede, análise de perdas, resiliência climática e gêmeos digitais de ativos. A reciclagem de capital com um fundo soberano também confirma um padrão que já aparece em outras operações do setor nesta mesma semana: capital de longo prazo está mirando a rede de distribuição como uma classe de ativo bancável — o que destrava mais orçamento de digitalização ao longo da cadeia.

Para startups, fornecedores de tecnologia, aceleradoras e fundos de inovação que miram o setor elétrico, o movimento indica diretamente onde deve estar o orçamento de inovação de uma das maiores distribuidoras do país nos próximos anos — e reforça a importância de acompanhar de perto os próximos passos do plano de investimentos até 2030.